A NOVA AGÊNCIA

Nos últimos tempos torna-se cada vez mais evidente a estagnação do segmento de agências de comunicação. Do jeito que está, não acredito que a maior parte delas sobreviva aos próximos cinco anos.

Falo em especial das agências de “live marketing”, que classifico como retrógradas em suas tentativas incoerentes de reinventar um modelo em busca da eficiência, permanecendo com estruturas inchadas, trabalhos despersonalizados, extremamente operacionais, “juniorização” das equipes, falta de criatividade e entendimento do negócio a que se referem os briefings e tantas outras críticas que ouvimos recorrentemente por parte do cliente.

O cliente mudou, o mercado mudou, a economia mudou, o mundo mudou. E nós, o que fizemos? Apenas insistimos em discursos vazios.

Para explicar a situação em que nos encontramos considero duas hipóteses. Uma delas trata de um mix entre vaidade e arrogância. Talvez o mercado de comunicação tenha empresários que, de tão vaidosos, tornam-se arrogantes e não conseguem olhar a sua volta, analisar criticamente e ver, com clareza, que tudo precisa mudar. Muitos acreditam ser soberanos e donos da verdade. Inclusive dono do cliente! Logo verão que é uma questão de sobrevivência.

Se fizermos um levantamento dos últimos seis meses veremos a grande quantidade de profissionais que foram excluídos das folhas de pagamentos de diversas agências consideradas grandes, pois a solução imediata é cortar custos, já que as receitas não são suficientes.

A outra hipótese é a falta de gestão profissional, preparada, sintonizada com o que há de mais moderno em gestão, sensível às tendências futuras da administração. Sim, porque comunicação é um ‘business’ como outro qualquer, tem que ser bem administrado. Se você quer ser bem sucedido hoje, aprenda o que é co-criação, coworking, trabalho colaborativo, crowdsourcing, técnicas de inovação, trabalho em rede, design thinking, actionlearning, sharingeconomy.

Se você desconhece metade dos termos, acenda a luz de alerta. Este será o futuro das agências que atenderão eficientemente poucos clientes, mas com profundo conhecimento estratégico e excelente delivery, o que aliás é condição sinequa non no presente ou no futuro.

O que vai mudar não é o que se entrega. As agências continuarão fazendo eventos, promoção, endomarketing, incentivo, ações de trade, programas de relacionamento, mas a forma de fazer isso será outra. Mais rápida, menos custosa, com mais propriedade, com um elenco de profissionais mais adequados para cada job, com soluções realmente taylormade.

A agência do futuro necessariamente será uma estrutura baseada na holocracia, percebida pelo cliente como um hub de soluções e capaz de apresentar o ROI de cada job finalizado, além de, por exemplo, o relatório de impacto sócio-ambiental do projeto.

Então, se você quer estar neste mercado no presente e no futuro, prepare-se para realmente inovar em comportamento, em atitude, em conhecimento, em autocrítica. Mude seu mindset. Seja você um profissional ou empresário do mercado de comunicação.

 

Marta Fujii, há 27 anos no mercado publicitário, é sócia fundadora da

agência Fit Live Marketing.

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