Empréstimos para empresas pequenas e médias: pode ser bom?

*Odivan Cargnin

A história do crédito no mundo é antiga e sempre desperta os mais diversos sentimentos, dependendo da experiência. O fato é que, se bem utilizado, pode ser muito bom para produzir riqueza, gerar empregos e desenvolver empresas e nações. Empréstimos para empresas ou pessoas geralmente é utilizado para realizar uma necessidade imediata que não seria possível devido à falta de capital no presente. Ou seja, com o crédito é possível antecipar uma ação, seja empreendedora ou de consumo, para o momento atual, com o compromisso de devolver o dinheiro emprestado no futuro, com juros. Os juros cobrados por quem empresta o dinheiro nada mais é do que o custo do dinheiro no tempo.

Um dos grandes segredos do crédito é saber utilizá-lo da forma correta. De uma maneira bem simples, a conta correta a ser feita é comparar o retorno que será obtido com o investimento que será feito, com o custo do dinheiro – os juros – que está sendo pago pelo empréstimo. Por exemplo, se uma empresa pega emprestado R$ 100 mil pagando juros de 0,5% ao mês (6% ao ano) e aplica esse dinheiro na compra de mercadorias que deixarão um lucro líquido de 3%, numa operação que demora dois meses para ser concluída, os R$ 100 mil deixarão R$ 3 mil de lucro líquido e os juros de dois meses do empréstimo será de 1%, equivalente a R$ 1 mil. Logo, o empreendedor terá obtido R$ 2 mil de lucro, obtido em função do empréstimo que fez. Esse fenômeno é tecnicamente chamado no mundo das finanças de “alavancagem”, em analogia ao efeito de uma alavanca mesmo.

No entanto existem muitas experiências ruins quando o uso dos empréstimos para empresas ou pessoas, é feito de maneira errada. Um dos principais erros é usar o dinheiro emprestado para investir em demasia em algo que não gera retorno. É o caso do exagero do uso do crédito no consumo, quando as pessoas compram carro, geladeira, etc, que são itens que não geram retorno econômico e, pelo contrário, se desvalorizam com o tempo. Decorrido dois ou três anos da compra o efeito é que a dívida cresce com os juros e o bem adquirido vale bem menos do que o saldo devedor da dívida. O mesmo ocorre quando há empréstimos para empresas, para aplicar em algo que não gera retorno adequado. As causas podem ser devido ao empreendedor que faz a conta errada ou mesmo pela ânsia de querer fazer negócios sem analisar com cuidado os retornos. Por exemplo, ao contrário do caso acima, em vez de sobrar R$ 2 mil de lucro, se a operação tiver prejuízo, o empreendedor terá que pagar o empréstimo e ainda “queimou” dinheiro na compra e venda das mercadorias. Outro problema recorrente é tomar crédito em demasia não prevendo mudanças de cenário, que podem tornar o investimento menos rentável ou os juros podem subir eliminando os ganhos da alavancagem.

Os juros exercem papel fundamental na estratégia de alavancagem. Quanto maior os juros, mais difícil de sobrar dinheiro com a alavancagem. O Brasil era conhecido por praticar os maiores juros do mundo. Isso mudou recentemente e essa mudança viabiliza uma série de negócios que não eram possíveis de se fazer

quando os juros eram altos. Esse fenômeno ativa a economia e coloca os empreendedores no centro do palco, como atores principais da economia, pois podem usar esse dinheiro disponível via empréstimos para aplicar na economia real dos seus negócios, produzindo riqueza e empregos. Estamos vivendo um momento único na história do Brasil e os empreendedores são os agentes principais desse momento da história.

Observados os cuidados e fazendo as contas certas, os empreendedores, especialmente os pequenos e médios, tem hoje uma oportunidade única de crescer o seu negócio usando dinheiro emprestado. É preciso observar a taxa de juros e saber exatamente onde será aplicado o dinheiro, para que o investimento a ser feito tenha um retorno maior do que os juros que estão sendo pagos. Com a queda dos juros no Brasil e devido à tecnologia, que facilitou o acesso aos pequenos e médios empreendedores ao crédito, estamos vivendo um momento de grande oferta de dinheiro no mercado. O empreendedor que fizer o uso correto dessa ferramenta financeira terá a oportunidade única de acelerar muito o crescimento do seu negócio.

*Odivan Carlos Cargnin é Co-Fundador da Razonet Contabilidade Digital e Diretor de Administração Finanças e Relações com Investidores da Irani Papel e Embalagem S.A.

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